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Salsa e Coentros & Muita Qualidade, por Francisco Seixas da Costa (Ponte Come) 2008
Foi já há uns anos que, naquela que é a evolução natural da vida e das coisas, um excelente profissional que havia conhecido na “Charcutaria” de Campo de Ourique, e, mais tarde, na sua segunda encarnação na Rua do Alecrim, decidiu voar por si próprio e abrir aquele que é hoje um dos mais seguros restaurantes alentejanos de Lisboa. O que, diga-se, não era obra fácil, porque esse era um “nicho” de gastronomia regional que contava já com um leque de excelentes casas. O sucesso do empreendimento, hoje já consagrado por uma clientela fiel e por um nome reputado, é a prova mais cabal da qualidade deste magnífico restaurante. Fica no bairro de Alvalade, numa esquina à direita, na única perpendicular à zona da Avenida do Rio de Janeiro que liga o largo no topo da Avenida da Igreja à Avenida do Brasil. Nas entradas, destacam-se as tradicionais empadinhas de galinha, a perdiz de escabeche ou os pezinhos de porco de coentrada. Depois, segue-se o Alentejo em todos o seu esplendor, como uns choquinhos em azeite e alho ou uma sopa de cação. Mas também com óptimos filetes de garoupa e até uma transmontana alheira de Fiolhoso. Muito cuidada lista de vinhos, com equilíbrio certo entre Alentejanos e Douros. Desta vez não se optou por sobremesas, mas experiências anteriores deixaram memória muito positiva dos doces. Este é um restaurante que se recomenda sempre, do qual nunca ouvi um comentário negativo – do ambiente, ao serviço ou à qualidade da comida. O que é notável, nos tempos que correm!
Salsa & Coentros, O Ribatejo 2008
Há uns meses tomei uma refeição neste restaurante, na altura uma sucessão de notícias e críticas (positivas) relativas ao Salsa&Coentros saíram em diversos jornais e revistas, levando-me a optar pelo silêncio não por razões de algum leitor me chamar seguidista, sim porque entendi dar tempo ao tempo. Voltei lá na semana passada para participar em animado jantar com mais duas pessoas – que passaram a noite a descrer de Abrantes – e do apreciado e degustado vou dar conta aos leitores. O restaurante divide-se por dois espaços, neles impera um discreto bom gosto, mesas bem aparelhadas pessoal simpático mas a minha camisa recebeu nódoas de chocolate devido a um desajuste de mãos de uma das senhoras que colocam a comida nas mesas. Enfim! Na lista abundam sugerências culinárias de nos obrigarem a pecar alegremente, só no domínio das entradas o pecado é mortal – quer dizer a carteira sofre e o colesterol aumenta – mas quem anda à chuva molha-se ensina o rifão. E a gostosa tarefa de afagar o palato principiou com sápidas empadas de galinha, os pimentos de Padrón fritos a contento proporcionaram exaltadas e bem recebidas notas de picante, de qualidade e bem fatiado o presunto de origem espanhola e enquanto molhava-mos a garganta com o espumante bruto tinto da Quinta de Cabriz vi-me na necessidade de defender a cidade abrantina, eu que nem lá nasci e vivo na periferia. As entradas continuaram a pousar na mesa em bom ritmo: pesto em cima de torradas a excitar as papilas gustativas, migas de tomate um tanto adocicadas e carpaccio de bacalhau, no caso do carpaccio coloco reservas ao facto de ter aparecido submerso em azeite de forma o gosto do bacalhau ter ficado anulado pelo excesso do óleo de oliveira. Em matéria de prato principal optei pela perdiz de escabeche, que surgiu desfiada tal como tinha pedido. A dita cuja não pertencia ao bando das que fazem prodígios a fim de escaparem aos tiros dos caçadores, no entanto, era honesta e estava muito confeccionada naquela técnica – o escabeche – de origem árabe e que durante séculos serviu fundamentalmente para confundir ou não seja esse o significado na língua original. A função do escabeche era a de esconder, conservar aquilo que sobrava de uma refeição para outras. Rematei a refeição e muito bem com queijo de Serpa. Com a perdiz e o queijo bebeu-se um tinto donairoso – Quintas das Murças – que além de elegante tem um final de boca agradável. No cômputo global esta refeição confirmou a primeira e caso o leitor queira apreciar uma boa demonstração culinária visite este restaurante. Convém reservar mesa pois os interessados são muitos.
Salsa & Coentros, Público Agosto 2006
O restaurante salsa & coentros, em Lisboa, abriu há um ano e as enchentes são a marca da casa. O segredo está na qualidade da comida, serviço e preços moderados. Num sector em que se cobram preços por vezes demenciais por uma comida sem alma, o salsa & coentros contrapõe uma oferta apaladada e produtos de qualidade. Há restaurantes que acertam em tudo, até no nome. É esse o caso deste salsa & coentros. Salsa a indicar a sua ligação ao Norte, no caso Trás-os-Montes, de onde lhe chega um cabritinho de chupeta, uma tortilha de batata, como nunca comi em restaurante português e raramente em restaurantes de Espanha, bem como cogumelos, no tempo deles, que é este; coentros porque o essencial da ementa é de raiz alentejana. Os seus proprietários eram caras conhecidas do restaurante Charcutaria, da rua do Alecrim, em Lisboa, casa de onde trouxeram um estilo de serviço atencioso e uma cozinha briosa, deixando para trás os preços caros. O salsa & coentros tem uma das melhores relações qualidade/preço de restaurantes lisboetas do seu estilo. Que se caracteriza pela utilização de produtos frescos e de qualidade, cozinhados de forma competente, o que lhes faz sobressair as cores, aromas e sabores que lhes são próprios. Num ambiente cheio de luz e desenxovalhado, em mesas de boa dimensão e bem atoalhadas, equipadas com alfaias adequadas, come-se muito bem comidas que nos são familiares e nos deixam alegres. Por exemplo, umas favinhas (2,75 euros), daquelas bebés que, embora congeladas, com um tempero adequado de azeite, vinagre, coentros, são de truz; as tiras de pimentos assados (3 euros); o "carpaccio de bacalhau" (8,15 euros), um "up-grade" do onanístico petisco da memória das nossas tabernas; a tortilha de batata (3,95 euros), um hino à arte de bem cozinhar os ovos com o tubérculo de Parmentier, cuja macieza e sapidez denunciam a sua cozedura lenta em azeite. E as empadinhas de galinha (1 euro cada)? Com a carne cortadinha, de sabor espevitado por linguiça de bom tempero, e o seu invólucro de massa fina, tenra e estaladiça, elas reconciliam-nos com este mimo, que anda por aí tão maltratado. Dos petiscos, só o fígado de porco (2,75 euros), se mostrou sem interesse, porque seco. Passemos aos pratos: choquinhos (8 euros), amaciados por uma ligeira fritura em azeite e alho, deliciam-nos e deixam-nos os dentes coloridos; a sopa de cação (7,50 euros), com o carne do esqualo no ponto, o caldo, que abebera o pão de trigo no prato fundo, engrossado no ponto por um pouco de farinha e o toque de vinagre que desenjoa e refresca; a perdiz de escabeche (13,50 euros), desossada, carne mergulhada num escabeche apurado, é uma forma superior de dar sabor a uma ave que é cada vez mais criada em aviário; excelente a empada de perdiz (12,50 euros), pela massa fina e assada no ponto e pelo apuro do estufado da carne da ave, a que o galego Álvaro Cunqueiro um dia chamou, belamente, "pedaço de Outono"; os pezinhos de porco (7,50 euros), desossados, gelatinosamente untuosos, também estiveram muito bem. Para o fim, ficam dois cozinhados inesquecíveis: as costeletas de cabrito (12,50 euros), mesmo de cabrito, fritas, com ligeiro tempero de sal e alho, nozinhas de carne rosada e deliciosa; e umas migas de porco (8,50 euros), de carne bem temperada de massa de pimentão e alho, e as migas de pão, moldadas no pingo resultante da fritura da carne, tratadas de tal modo que chegaram à mesa com uma ligeira crosta e não desfeitas, como infelizmente quase sempre acontece. Quem cozinha com tanto cuidado e brio merece todos os louvores. Quanto às sobremesas - por exemplo, encharcada (2,50 euros), bolo de chocolate e pudim de laranja (a 2,95 euros), sericaia (2,50 euros), servida sem a invasiva presença das ameixas de Elvas - estejam à vontade. Vinhos, de uma carta bem escolhida, elegeram-se o Tinta Caiada 2003 de João Portugal Ramos (17,50 euros); o Duas Quintas 2004 (13,50 euros) e o Vale de Ancho 2003 (35 euros), todos tintos. Ficou a ganhar o Alentejo? Nada disso. Ficámos a ganhar os que os bebemos, porque cada um deles, no seu estilo, são belos vinhos e certamente pensados para acompanhar as nossas melhores comidas. O serviço é desempenhado de forma competente e a ritmo adequado. Desde que abriu, o salsa & coentros está sempre cheio. Olha a admiração! Não vá lá sem marcação de mesa, para não ter surpresas desagradáveis.
Os melhores restaurantes portugueses populares, Diário Noticias Agosto 2006
Tal como já tinha acontecido com os restaurantes da categoria "peixes e mariscos", também quando pedimos aos membros do júri do DN para escolherem as três casas de cozinha "popular", incluindo tascas, da sua preferência, a dispersão de votos foi enorme. O que mostra que cada português tem nesta categoria gostos muito próprios, de lugares descontraídos, de cozinha simples e honesta, onde se sente bem. Por isso, os três eleitos concentraram apenas, cada um, os votos de dois dos jurados, sendo O Galito, provavelmente o restaurante que serve a melhor e mais genuína cozinha alentejana na capital, o vencedor, com dois primeiros lugares que lhe deram um total de seis pontos. Logo a seguir, com cinco pontos obtidos de um primeiro e de um segundo lugar, vieram ex aequo a tradicional Casa Aleixo, perto da estação de Campanhã, no Porto, e um "novato", o Salsa e Coentros, que abriu há poucos meses no bairro de Alvalade (perto da Av. Rio de Janeiro), mais um restaurante lisboeta especializado em cozinha alentejana. Devido ao empate absoluto na segunda posição e à já referida dispersão de votos, que fez com que mais nenhum restaurante fosse citado mais de uma vez pelos membros do painel, não foi possível encontrar um terceiro colocado, como é habitual nestas votações do júri. Mas, se quisermos ir ao detalhe, os seis restaurantes que foram referidos em primeiro lugar pelos membros do júri (sem contar, evidentemente, com os que ficaram na primeira e segundas posições), teriam que se acotovelar na terceira posição do pódio, com medalhas de bronze para o Pedro dos Leitões, Lidador, Buenos Aires (o único que não é de cozinha portuguesa), Cova Funda, A Escola e Farta Brutos. A vantagem desta dispersão de votos é que assim há muito mais sugestões de restaurantes para os leitores do DN, principal objectivo destas votações. No próximo sábado, nova categoria e mais sugestões.
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